Comportamento

Pão de Queijo

Delícia brasileira invade Grande Toronto

Por Cleida Steinmetz

Elizabeth: Pacote de 400 gramas vem com 15 unidades cada e custa $3,99 nas lojas de produtos brasileiros em Toronto e Mississauga

Aos adoradores de pão de queijo, uma boa notícia gastronômica. Às lojas de produtos brasileiros, um item a mais para colocar nas prateleiras com excelentes chances de sucesso de vendas. Congelado, pronto para ir direito ao forno, o pão de queijo Forno de Minas está sendo trazido do Brasil pela BR4 Trade, uma empresa aberta há cerca de um ano em Mississauga por quatro brasileiros residentes na grande Toronto e que viram no produto uma boa oportunidade de negócios no Canadá. Além, é claro, para ajudar os brasileiros a se sentirem um pouco mais em casa nas terras do Norte.

Mas não só de brasileiros vive o sucesso de vendas do produto no Canadá até agora. Os portugueses estão dando uma grande contribuição e fazendo coro conosco sobre a qualidade do pão de queijo. Responsável pelas vendas e divulgação no Canadá, Elizabeth Garcia, confirma que a aceitação está excelente, “não só entre os brasileiros, mas também entre os portugueses”.

A distribuição em terras canadenses começou em dezembro e no ínicio deste mês pelo menos 10 estabelecimentos na grande Toronto e um em Québec estão oferecendo a delícia aos seus clientes. São em sua maioria lojas portuguesas que já oferecem outros produtos brasileiros e são frequentadas pela nossa comunidade.

A BR4 Trade foi criada com o intuito de trazer produtos do Brasil especificamente na área de alimentação. Mas não qualquer produto. O foco são itens que exigem mais conhecimento, pesquisa e logística para poderem entrar na América do Norte, explica Elizabeth. A próxima investida do grupo é trazer requeijão, porém como os impostos são altíssimos (acima de 200%) e o trâmite bastante burocratizado não há previsão de quando estará disponível. “Trazer queijos para cá é complicado e custoso e essa é uma das razões porque o queijo é tão caro no Canadá’’, diz Elizabeth. Catupiri e folhados também já estão na lista de espera.

Mercado étnico
Embora a aceitação do pão de queijo seja considerada boa no Canadá, a abertura do mercado é desafiante. A maioria dos proprietários de supermercados étnicos, que oferecem alimentos brasileiros em Ontário, são administrados por portugueses e eles não conheciam o produto, tão tradicional entre os brasileiros que frequentam suas lojas. “Com todo produto novo é assim, tem que apresentar, fazer degustação, repetir visita”, reconhece Elizabeth. E a recompensa vem: “depois que conhecem, eles não param mais de comprar.”

E foi assim que a BR4 Trade conseguiu introduzir o pão de queijo Forno de Minas congelado nas redes de lojas Tavora, Nosso Talho, Salsicharia Pavão e Salsicharia Ruy Gomes, todos estabelecimentos portugueses localizados em Toronto e Mississauga.

Além disso, o restaurante brasileiro Brasa, de Niagara, está introduzindo o produto no seu cardápio. Outros restaurantes estão na mira da empresa. “Estamos indo devagar, mas com consistência”, explica Elizabeth, acrescentando que as vendas estão aumentando e que já fazem planos de expansão para Ottawa, Vancouver e Calgary . Em Québec, pelo menos uma loja já está oferecendo o produto.

Sua familiaridade com importação, adquirida no período em que foi proprietária de uma loja brasileira em Calgary, tem facilitado a vida de Elizabeth em lidar com a abertura do mercado. Para ela, as questões culturais são um grande empecilho. “Nos cafés daqui eles quase só oferecem doces. Meu sonho é ver pão de queijo sendo vendido em lojas como o Tim Hortons”, revela.

Tudo é uma questão de tempo, acrescenta, destacando que potenciais clientes canadenses estão começando a ser trabalhados, sem obviamente revelar nomes. Tendo em vista esse novo mercado a empresa Forno de Minas está desenvolvendo um produto novo, pré-cozido. Enquanto o congelado leva 25 minutos no forno, o pré-cozido fica pronto em 8 minutos, o que o tornaria ideal para atender franquias de comidas rápidas.

Exposição
Entre os dias 11 a 13 de maio a BR4 Trade estará participando da Sial Canada, uma das maiores feiras de produtos alimentícios do mundo, que acontecerá no Metro Convention Centre de Toronto, e tem como foco o mercado norte-americano. A expectativa é a presença de 530 expositores agroalimentares e 12 mil profissionais da área.

O debut do pão de queijo na feira será em grande estilo. A empresa adquiriu um forno semi-industrial e promete espalhar o cheirinho do pão de queijo assado por todo centro de convenções. A degustação será uma das ferramentas de apresentação do produto ao mercado norte-americano. Resta saber quem vai resistir à tentação.

E agora, com licença que vou assar uns pães de queijo, pois esse assunto me deu água na boca!


Esquentando os motores para o Miss Brazil Canada

Concurso premiará candidata que reunir além de beleza, encanto, elegância e simpatia

O Hard Rock Café, no Dundas Square, foi invadido por beleza e estilo no último domingo, 6 de março. A ocasião? Mostrar o potencial das 17 meninas que disputam – sem descer do salto – o primeiro concurso de Miss Brazil Canada, agendado para o dia 9 de abril, no On The Park Banquet Hall.

Para ganhar a coroa, as 11 brasileiras e seis canadenses cujos pais nasceram no Brasil terão que exibir mais do que um rosto bonito. O presidente do concurso, Abelardo Oliveira, alerta que também é preciso encantar o público e os sete jurados com elegância, inteligência, simpatia e educação.

Por isso, o trabalho dessas meninas começou já em fevereiro, em um espaço cedido pelo grupo Axé Capoeira. Yara Vasconcellos, coreógrafa há cinco anos e envolvida em projetos como o Brazilian Day 2010, em Toronto, será a instrutora das candidatas durante o percurso, dando aulas de postura e comportamento. Mais do que isso, a dançarina promete dar uma quebrada no estilo tradicional dos concursos de Miss. A ideia, segundo ela, é trazer uma mistura de pop e samba, a fim de equilibrar as culturas brasileira e canadense.

Anderson Brandão, diretor de Criação do evento, também reforça que a intenção é levar uma linguagem fashion e  descontraída. “Isso vai ficar claro na escolha das músicas, dos figurinos e das coreografias. Vamos pôr em prática o conceito de desfile-show. Uma das atrações, por exemplo, será Aline Morales cantando Bossa Nova para mostrar um pouco do Brasil. E ainda preparamos uma surpresa para o desfile de gala, mas esse segredo só vamos revelar na hora”, explica.

Como será o evento

As meninas começam a ser julgadas pelo traje de banho e uma primeira entrevista. Depois é a vez dos figurinos de gala, de onde saem as cinco finalistas que passarão por uma segunda entrevista.

Josivaldo Rodrigues, diretor Executivo, detalha que a pontuação em cada quesito vai de 5 a 9.99, com total autonomia dos jurados. “No entanto, a entrevista tem peso dois já que será avaliado o que elas falam e como se expressam”, diz.

À nota oficial serão somados dois pontos extras para a candidata mais votada pelo público pagante. “Pensamos que a mais popular será a que vendeu mais convites. Essa foi nossa forma de compensar o esforço delas em arrecadar esse dinheiro, que será doado à fundação DeSouza, onde são conduzidas pesquisas contra o câncer”, explica Josivaldo.

A primeira colocada ganhará, entre outros prêmios, uma passagem para o Brasil. Uma viagem a Cuba será entregue à segunda concorrente. Além da Miss Brazil Canada, serão coroadas a Miss Simpatia, votada pelas próprias concorrentes, e a Miss Fotogenia, escolhida pela comissão organizadora. E quem fará as honras de entregar as faixas para as felizardas será Mariana Valente, Miss Canada Universe 2009.

“Já que este é o primeiro concurso de Miss Brazil Canada, tive a alegria de ser convidada para coroar as vencedoras”, diz a paulista, que já deixou seu recado para as candidatas. “Deste evento, só sai uma ganhadora, mas todas têm igual chance de aprender e evoluir durante o processo. Meu conselho para elas foi: aproveitem ao máximo!”, enfatiza.

Agora basta esperar até abril. Interessados podem comprar ingressos pelo site www.missbrazilcanada.ca ou procurar as candidatas.

Breve perfil das candidatas:

Ariane Bacelar: baiana e futura enfermeira, diz amar a mistura cultural do Canadá.

Barbara Barberini: paulista, almeja trabalhar em ONG’s para o desenvolvimento das nações.

Gisele Brandão: paulista e designer de mídia, também ama a diversidade cultural que existe no Canadá.

Heidi Markievicz: torontoniana, estuda Relações Internacionais sonhando em se tornar diplomata para o governo brasileiro.

Iasmin Mesquita: mineira, tem como sonho se tornar professora.

Jennifer Silva: torontoniana, diz que seu objetivo é ser advogada especializada em Direitos Humanos.

Juliana Barbosa: mineira, quer ser advogada para ajudar grupos minoritários em Toronto.

Laura Dreher: gaúcha, sonha em ser modelo, atriz e ter um diploma em Negócios Internacionais.

Mariana Abdalla: paulista, atualmente trabalha no setor de Desenvolvimento Internacional.

Sherry Faustino: torontoniana, deseja ser dona do seu próprio salão de spa.

Soyla Alcantara: nascida em Niterói, quer se tornar psicóloga.

Stefany Santos: torontoniana, almeja criar uma carreira na área de Educação Física.

Suelen da Costa: carioca, quer se especializar em massagem terapêutica.

Susan Camargo: paulista e nutricionista, diz amar o Canadá por ser um país seguro.

Taciana Ferrari: natural de Recife e formada em Publicidade e Propaganda.

Úrsula Sharon: torontoniana, tem como sonho se tornar professora universitária.

Walleska Martins: torontoniana, quer ser atriz e diz que o Canadá tem o povo mais gentil do mundo.


O Coração de Muitas Pátrias

O corretor de imóveis, Frank Penner: quatro décadas no lar canadense.

Descendente de alemães, ele deixou o Brasil ainda criança e hoje é um Brazilian Canadian.

O ano era 1960 quando o casal Pedro e Maria embarcaram para o Canadá, o país considerado um ’eldorado’, um lugar cheio de oportunidades. Eles trouxeram junto o pequeno Frank Penner. Os pais, descendente de alemães, haviam deixado a Rússia para morar em Santa Catarina e depois no Paraná. “Eles eram Mennonitas, que foram obrigados a fugir do regime comunista devido à fé cristã e mudaram-se para Curitiba durante a Segunda Guerra Mundial”.

O pai regressou ao Brasil três anos depois e Frank Penner fez a viagem de volta ao Canadá após concluir o segundo grau, em 1971. “Uma vez aqui, como todo brasileiro, a gente se vira e trabalha onde tiver oportunidade”, disse ele. “A gente nunca sabe onde a vida nos leva. Comecei entregando eletrodomésticos, fui eletricista, denhista de monitores e televisores, trabalhei na área de concreto, carpintaria rough e finish, drywall, e ainda instalei armários de cozinha. Em 1988 decidi seguir a profissão do meu pai: corretor de imoveis”.

Frank Penner é pai de seis filhos e avô de sete netos. Ele mora no Canadá há 40 anos. “Hoje a vida é mais fácil e melhor no Canadá. Meu primeiro salário era de $1.75/hora. Nos anos 1981-83, os juros para financiamento da casa própria aumentaram para 22% ao ano. Eu me lembro que, em 1960, aos nove anos de idade e no quarto ano de escola, os diretores em Kitchener espancavam os alunos”, afirmou.

O que é ser Brazilian Canadian? “Eu penso assim: você pode até tirar o brasileiro do Brasil, mas nunca tira o Brasil do brasileiro”. E revela ainda mais o país que está presente no sangue e no coração. “O Canadá é sem dúvida o melhor país do mundo, mas no coração do brasileiro não há país melhor que o Brasil e eu dou graças a Deus que o Canadá é um país multicultural que incentiva os imigrantes a manter os costumes do país de origem”.

O Brazilian Day Canada traz a diversidade cultural do Canadá ressaltada por Frank Penner. ”O Brazilian Day é uma oportunidade para o brasileiro festejar os costumes do Brasil aqui no Canadá, matar a saudade, e para pessoas de outras nacionalidades conhecerem melhor quem somos”, disse.


Um Brazilian Canadian em viagem pelos céus brasileiro e canadense

O chefe de cabine da Air Canada, Paulo Simas: "sendo comissário, dá sempre para dar uma fugidinha para o Brasil, num finzinho de semana!"

Paulo Simas é chefe de cabine de companhia aérea que aproxima os dois países.

O desembarque no Canadá foi em 11 de junho de 1989, aos 16 anos de idade. O adolescente Paulo Simas chegou de São Paulo acompanhado do pai. O Brasil experimentava a primeira eleição direta para Presidência da República após a abertura política iniciada em 1985 e amargava o período dos planos econômicos mal sucedidos. O Canadá entrou na vida da família através de anúncio publicado em jornal no qual o governo canadense incentivava brasileiros a imigrar para o país.

Após dois anos de testes e entrevistas, a família conseguia o visto de residência permanente.

“Eu vim primeiro, com meu pai, para arranjarmos emprego. Logo que chegamos, meu pai arranjou um emprego na Magna Corporation, e eu no McDonald’s, fazendo sanduíches. Dois meses depois, minha mãe e meu irmão mais novo se juntaram a nós”, afirmou. E a integração cultural não foi fácil. “Esperava dificuldades com a língua, mas não com a cultura”.

“Sempre me senti como uma espécie de embaixador do Brasil na Air Canada! Hoje como chefe de cabine, minhas rotas igualam as da compania onde trabalho. Conheço o Canadá desde Halifax, no leste, a Victoria no oeste, e a Resolute Bay, no Polo Ártico”. Paulo Simas não acredita que a oportunidade de trabalho no Brasil seria a mesma. ” Primeiro estudava para entrar em Ciências Médicas, e nunca teria me passado pela cabeça em ser comissário de bordo. Segundo, a situação política no Brasil estava muito instável. Seria bem possível que logo eu fosse forçado a largar os estudos e aceitar qualquer trabalho que surgisse”.

Para Paulo Simas, a qualidade de vida no Canadá mudou ao longo do anos. “Quando cheguei, o Canadá era um país altamente socializado, como a França é hoje. Fiquei surpreso com o sistema universal de saúde daqui, que era de primeira qualidade! Hoje as coisas são diferentes. Existem hospitais e operações privatizadas, onde trabalham os melhores médicos, tirando-os dos hospitais públicos, e o preço das universidades subiram muito, onde um estudante, ao terminar seus estudos, inicia uma vida com dívidas de aproximadamente cem mil dólares!”, disse.

Paulo Simas tem a receita para matar a saudade do Brasil. ”Tenho a TV Globo sempre ligada e vou a um supermercado da comunidade luso-brasileira como o Távora, aqui em Mississauga, e claro, sendo comissário, dá sempre para dar uma fugidinha para o Brasil, num finzinho de semana!”.

Segundo ele, o Brazilian Day Canada será motivo de muita alegria. ”Vamos celebrar a nossa cultura e essa renascença cultural e política pela qual estamos passando! Tudo de Bom!!!”, afirmou.


Apaixonado pelo Brasil, Louco pelo Canadá

Kléber de Souza sai da limosine que ele e os amigos remodelaram para a Copa do Mundo da África do Sul.

“Sou totalmente satisfeito com o que o Canadá me ofereceu”

O Brazilian Canadian Kléber de Souza e o coração verde, amarelo, vermelho e branco

Kléber Moreira de Souza é carpinteiro e chegou ao Canadá no dia 14 de março de 1987. Os Estados Unidos estavam nos planos dele, mas migrar para o Canadá foi mais fácil porque naquela época era não preciso visto para entrar no país. Mineiro da cidade de Fernandes Tourinho, Kléber veio acompanhado de amigos para desbravar uma nova terra e realizar o sonho de recomeçar a vida longe de casa. “Alguns dos meus amigos foram para os EUA”, lembrou ele 23 anos depois e hoje com o coração Brazilian Canadian.

No Brasil, Kléber de Souza era comerciante e escrivão designado de um cartório do qual era dono. De acordo com ele, as dificuldades foram maiores. “Quase que não tinha brasileiros aqui e a gente procurou trabalho com os portugueses”, afirmou. Desde que lançou a âncora no Canadá, Kléber tem se dedicado a área da construção civil.

Segundo ele, está mais fácil recomeçar a vida hoje no Canadá em comparação com anos anteriores. “Talvez seja mais difícil alguém conseguir vir para o país, mas é mais fácil quando você chega pelo grande número de brasileiros que hoje mora aqui”, afirmou.”Quando a gente encontrava um brasileiro que estava no Canadá há mais de um ano naquela época, ficávamos logo admirados. Oh! Você já está todo esse tempo aqui?”, revelou ele. Se fosse para começar tudo de novo, Kléber afirmou que o Canadá estaria mais uma vez nos planos dele. “Estou totalmente satisfeito com o que o Canadá me ofereceu”.

Foi no Canadá que Kléber de Souza conheceu a esposa Marizélia, que é de Governador Valadares. As filhas Kayra, de 13 anos, e Grace Kelly, de 23 anos, nasceram no Canadá. Para manter presente a atmosfera verde-amarela brasileira dentro de casa, Kléber de Souza está antenado nos trópicos pelo sinal de tevê. “Tenho todos os canais brasileiros”, afirmou.

Kléber de Souza se declara um ”apaixonado pelo Brasil e louco pelo Canadá” e e ele matou um pouco a saudade do país gigante da América do Sul ao participar do Brazilian Day Canada do ano passado. “Eu achava que o público não chegaria a um terço do que eu vi lá no dia, mas o número de pessoas me surpreendeu e este ano estarei lá de novo e se divertindo de camarote (risos).”


A relação ente pais e filhos plugada na internet

O mundo online tem encurtado a distância entre aqueles que saíram de casa para estudar ou até mesmo para quem tem a missão de educar os filhos mesmo que seja a milhares de quilômetros do lar doce lar.

Em um fim de semana de chuva em Toronto, um pai apreensivo consulta a caixa de emails à procura de notícias do filho de 17 anos. Nessa reportagem os nossos personagens dois lados da história preferiram não revelar seus nomes. O que nós podemos um tipo de relacionamento entre pai e filho que está cada vez mais comum desde que o mundo ganhou a denominação online e o planeta terra povoado de estrelas no céu, ele agora também atende pelo nome de planeta virtual.

Os nossos personagens são pai e filho e eles estão em mundos geográficos distantes e nem por isso estão tão longe assim. Depois de alguns cliques, o pai pôs fim aos milhares de quilômetros que separa ele do filho. Agora a conversa é online e a sala de estar se chama sala de bate-papo. O pai aguarda ansioso encontrar o filho online. Ele espera a notícia sobre o resultado no concurso vestibular.

Pela rede mundial de computadores o pai, que mora no Canadá há sete anos e trabalha na área da construção civil, foi informado que o filho terá que se dedicar mais um ano de estudos para tentar mais uma vez a vaga na universidade. “Eu acho que esse é o tipo de notícia que a gente prefere mesmo saber pela internet em vez de ouvir pelo telefone”, disse o pai

O outro perfil de usuários ligados à família pela internet é o estudante Filipe Garcia, 22 anos. Ele veio de Mogi Guaçu, interior de São Paulo, para estudar inglês em Toronto. É a primeira vez que ele viaja para fora do país e chegou ao Canadá no dia 12 de dezembro.

Morando em casa de família canadense (homestay), Garcia disse não ter computador em casa, mas a comunicação com os pais e a namorada é feita pelo envio de emails diariamente. “É tipo um diário de viagem: falo o que fiz no dia, dos passeios, viagens e o resultado do meu desempenho no curso de inglês”.

Pai e mãe

Com uma previsão de três meses de estudos no Canadá, Garcia salienta que os emails são para o pai e a conversa com a mãe é realizada em sala de bate papo da internet. “O que escrevo para o meu pai no email, eu converso com a minha mãe quando estamos online.

Broncas pela webcam ou ao telefone? O pai – que não quis se identificar, disse que se chateia quando o horário do ‘encontro online’ é agendado com o filho e não é cumprido. “Às vezes sinto vontade de dar um poxão de orelha, mas isso é impossível”, disse ele.

Antes a carta e a vida expressa pelas palavras, agora é a era da imagem digital viajando pelos milhões de bites. Será que a comunicação é sincera entre pais e filhos e a cobrança do ligar e desligar da webcam demonstra obediência e ao mesmo tempo torna ambos os lados mais fortes emocionalmente, afastando a saudade e a sensação de ausência dos pais. “A internet aproxima mais a família e nos deixa emocionalmente melhor”, disse Garcia.

Outro estudante de inglês que desembarcou em Toronto para uma temporada de três meses de curso na Ilac é o curitibano, William Saab, de 20 anos.  Ele também mora em homestay e usa o computador da escola para se comunicar com a família e os amigos. O contato com a mãe é ainda feito pelas mensagens de texto trocadas entre ambos diariamente. “Temos um plano de ligações de baixo custo feito no Brasil, mas quando precisamos conversar mais, a saída é o email”, afirmou.

Segundo Saab, o assunto com os pais é sobre a rotina diária. “Eles perguntam o que fiz, como foi o meu dia e o que farei amanhã”, disse ele. “Até agora não fiz nada que precisasse esconder deles”, afirmou, acrescentando ainda: “Se eles não tivessem confiança em mim, eu não estaria aqui hoje”.

Se a educação e o respeito são donos do discurso sobre relacionamento entre família, filhos e sociedade, a internet não é considerada o canal que fortalece essa relação, pelo menos na visão dos dois estudantes. “Ninguém educa pela internet”, afirmou Saab. E Garcia afirma: “Se ao vivo já é difícil, pela internet é mais ainda”.

Mudanças

Para a psicóloga humanista, Everalda Sidaravacius, as novas tecnologias têm causado profundas transformações psicossociológicas. Segundo ela, mas isso é algo muito novo na sociedade e muito cedo para se saber com profundidade até que certo ponto o nosso comportamento e pensamento diante da internet sofrerão alterações positivas ou negativas.

“A Internet vem criando novas realidades, que antes pareciam ser coisa de escritores e filmes malucos, essa mudança do real para o virtual afeta todas as formas de relacionamento, sejam elas na área da Educação, da Psicologia e de todas as outras, que ganham milhões de possibilidades, entre elas a psicoterapia e a educação à distância”, afirmou.

Com uma nova maneira de se relacionar-se com a popularização da internet após a segunda metade dos anos 1990, de acordo com a psicóloga, Everalda Sidaravicius, “o vínculo e a afetividade da relação pai-filho (a) ou mãe-filho (a) já deve estar formada, e é necessário ter cuidado e cautela absoluta em manter um diálogo agradável e aberto para que a interação e a educação via Internet possam ser positivas e a relação seguir em frente sem a necessidade da presença física. Isto se traduz em muito respeito, responsabilidade, confiança e  amor de ambos os lados”, afirmou.


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