O mundo online tem encurtado a distância entre aqueles que saíram de casa para estudar ou até mesmo para quem tem a missão de educar os filhos mesmo que seja a milhares de quilômetros do lar doce lar.

Em um fim de semana de chuva em Toronto, um pai apreensivo consulta a caixa de emails à procura de notícias do filho de 17 anos. Nessa reportagem os nossos personagens dois lados da história preferiram não revelar seus nomes. O que nós podemos um tipo de relacionamento entre pai e filho que está cada vez mais comum desde que o mundo ganhou a denominação online e o planeta terra povoado de estrelas no céu, ele agora também atende pelo nome de planeta virtual.

Os nossos personagens são pai e filho e eles estão em mundos geográficos distantes e nem por isso estão tão longe assim. Depois de alguns cliques, o pai pôs fim aos milhares de quilômetros que separa ele do filho. Agora a conversa é online e a sala de estar se chama sala de bate-papo. O pai aguarda ansioso encontrar o filho online. Ele espera a notícia sobre o resultado no concurso vestibular.

Pela rede mundial de computadores o pai, que mora no Canadá há sete anos e trabalha na área da construção civil, foi informado que o filho terá que se dedicar mais um ano de estudos para tentar mais uma vez a vaga na universidade. “Eu acho que esse é o tipo de notícia que a gente prefere mesmo saber pela internet em vez de ouvir pelo telefone”, disse o pai

O outro perfil de usuários ligados à família pela internet é o estudante Filipe Garcia, 22 anos. Ele veio de Mogi Guaçu, interior de São Paulo, para estudar inglês em Toronto. É a primeira vez que ele viaja para fora do país e chegou ao Canadá no dia 12 de dezembro.

Morando em casa de família canadense (homestay), Garcia disse não ter computador em casa, mas a comunicação com os pais e a namorada é feita pelo envio de emails diariamente. “É tipo um diário de viagem: falo o que fiz no dia, dos passeios, viagens e o resultado do meu desempenho no curso de inglês”.

Pai e mãe

Com uma previsão de três meses de estudos no Canadá, Garcia salienta que os emails são para o pai e a conversa com a mãe é realizada em sala de bate papo da internet. “O que escrevo para o meu pai no email, eu converso com a minha mãe quando estamos online.

Broncas pela webcam ou ao telefone? O pai – que não quis se identificar, disse que se chateia quando o horário do ‘encontro online’ é agendado com o filho e não é cumprido. “Às vezes sinto vontade de dar um poxão de orelha, mas isso é impossível”, disse ele.

Antes a carta e a vida expressa pelas palavras, agora é a era da imagem digital viajando pelos milhões de bites. Será que a comunicação é sincera entre pais e filhos e a cobrança do ligar e desligar da webcam demonstra obediência e ao mesmo tempo torna ambos os lados mais fortes emocionalmente, afastando a saudade e a sensação de ausência dos pais. “A internet aproxima mais a família e nos deixa emocionalmente melhor”, disse Garcia.

Outro estudante de inglês que desembarcou em Toronto para uma temporada de três meses de curso na Ilac é o curitibano, William Saab, de 20 anos.  Ele também mora em homestay e usa o computador da escola para se comunicar com a família e os amigos. O contato com a mãe é ainda feito pelas mensagens de texto trocadas entre ambos diariamente. “Temos um plano de ligações de baixo custo feito no Brasil, mas quando precisamos conversar mais, a saída é o email”, afirmou.

Segundo Saab, o assunto com os pais é sobre a rotina diária. “Eles perguntam o que fiz, como foi o meu dia e o que farei amanhã”, disse ele. “Até agora não fiz nada que precisasse esconder deles”, afirmou, acrescentando ainda: “Se eles não tivessem confiança em mim, eu não estaria aqui hoje”.

Se a educação e o respeito são donos do discurso sobre relacionamento entre família, filhos e sociedade, a internet não é considerada o canal que fortalece essa relação, pelo menos na visão dos dois estudantes. “Ninguém educa pela internet”, afirmou Saab. E Garcia afirma: “Se ao vivo já é difícil, pela internet é mais ainda”.

Mudanças

Para a psicóloga humanista, Everalda Sidaravacius, as novas tecnologias têm causado profundas transformações psicossociológicas. Segundo ela, mas isso é algo muito novo na sociedade e muito cedo para se saber com profundidade até que certo ponto o nosso comportamento e pensamento diante da internet sofrerão alterações positivas ou negativas.

“A Internet vem criando novas realidades, que antes pareciam ser coisa de escritores e filmes malucos, essa mudança do real para o virtual afeta todas as formas de relacionamento, sejam elas na área da Educação, da Psicologia e de todas as outras, que ganham milhões de possibilidades, entre elas a psicoterapia e a educação à distância”, afirmou.

Com uma nova maneira de se relacionar-se com a popularização da internet após a segunda metade dos anos 1990, de acordo com a psicóloga, Everalda Sidaravicius, “o vínculo e a afetividade da relação pai-filho (a) ou mãe-filho (a) já deve estar formada, e é necessário ter cuidado e cautela absoluta em manter um diálogo agradável e aberto para que a interação e a educação via Internet possam ser positivas e a relação seguir em frente sem a necessidade da presença física. Isto se traduz em muito respeito, responsabilidade, confiança e  amor de ambos os lados”, afirmou.