O chefe de cabine da Air Canada, Paulo Simas: "sendo comissário, dá sempre para dar uma fugidinha para o Brasil, num finzinho de semana!"

Paulo Simas é chefe de cabine de companhia aérea que aproxima os dois países.

O desembarque no Canadá foi em 11 de junho de 1989, aos 16 anos de idade. O adolescente Paulo Simas chegou de São Paulo acompanhado do pai. O Brasil experimentava a primeira eleição direta para Presidência da República após a abertura política iniciada em 1985 e amargava o período dos planos econômicos mal sucedidos. O Canadá entrou na vida da família através de anúncio publicado em jornal no qual o governo canadense incentivava brasileiros a imigrar para o país.

Após dois anos de testes e entrevistas, a família conseguia o visto de residência permanente.

“Eu vim primeiro, com meu pai, para arranjarmos emprego. Logo que chegamos, meu pai arranjou um emprego na Magna Corporation, e eu no McDonald’s, fazendo sanduíches. Dois meses depois, minha mãe e meu irmão mais novo se juntaram a nós”, afirmou. E a integração cultural não foi fácil. “Esperava dificuldades com a língua, mas não com a cultura”.

“Sempre me senti como uma espécie de embaixador do Brasil na Air Canada! Hoje como chefe de cabine, minhas rotas igualam as da compania onde trabalho. Conheço o Canadá desde Halifax, no leste, a Victoria no oeste, e a Resolute Bay, no Polo Ártico”. Paulo Simas não acredita que a oportunidade de trabalho no Brasil seria a mesma. ” Primeiro estudava para entrar em Ciências Médicas, e nunca teria me passado pela cabeça em ser comissário de bordo. Segundo, a situação política no Brasil estava muito instável. Seria bem possível que logo eu fosse forçado a largar os estudos e aceitar qualquer trabalho que surgisse”.

Para Paulo Simas, a qualidade de vida no Canadá mudou ao longo do anos. “Quando cheguei, o Canadá era um país altamente socializado, como a França é hoje. Fiquei surpreso com o sistema universal de saúde daqui, que era de primeira qualidade! Hoje as coisas são diferentes. Existem hospitais e operações privatizadas, onde trabalham os melhores médicos, tirando-os dos hospitais públicos, e o preço das universidades subiram muito, onde um estudante, ao terminar seus estudos, inicia uma vida com dívidas de aproximadamente cem mil dólares!”, disse.

Paulo Simas tem a receita para matar a saudade do Brasil. ”Tenho a TV Globo sempre ligada e vou a um supermercado da comunidade luso-brasileira como o Távora, aqui em Mississauga, e claro, sendo comissário, dá sempre para dar uma fugidinha para o Brasil, num finzinho de semana!”.

Segundo ele, o Brazilian Day Canada será motivo de muita alegria. ”Vamos celebrar a nossa cultura e essa renascença cultural e política pela qual estamos passando! Tudo de Bom!!!”, afirmou.